ENTREVISTA : ÁLVARO - Por Lau Souza



EDITORA : Jéssica Vargas

Um bate papo com o amigo e tatuador da banda.


"Sou fã mesmo da galera, e de como a Pitty leva a carreira dela, o respeito que ela tem com a música."



ADM - Como você conheceu a Pitty e os meninos da banda?
Álvaro - Pitty conheci pessoalmente quando comecei a aprender a tatuar, ela trabalhava no estúdio do Binga como secretária, a uns 13/14 anos atrás. Martin conheci no King Cobra, banda que tocava cover de bandas de hard rock num inferninho, chamado Café Calypso. Joe conheci no The Dead Billies, e Duda já com Pitty.


ADM - Existe alguma lembrança marcante que viveu com eles aí na Bahia?
Álvaro - Várias, principalmente com Martin. Nessa época do King Cobra saíamos muito e depois que ele foi tocar no Cascadura trabalhei um tempo com os caras, ajudando na produção.
ADM - O Martin foi o que você teve mais contato então?
Álvaro - Sim, lembro uma vez num aniversário dele - ele faz dia 3 e eu dia 1º de Junho - que dei de presente pra gente um almoço no "Boi Preto", a melhor churrascaria daqui. Só que falei uns dois meses antes, já viu a ansiedade né!? Lembro que chegamos esfomeados: eu, ele e um amigo, o Xandão. Comemos tanto que na saída o carro arrastou o fundo do chão e eu não conseguia amarrar o cordão do tênis. Na época a gente tinha pouca grana e tínhamos que desfrutar o máximo, comer até não aguentar mais. (Risos)
ADM - Pelo que sabemos sempre existiu muita força de vontade da Pitty e dos meninos para realizar o sonho de ter uma banda. Eles sempre mostraram desempenho?
Álvaro - Acho que eles são super focados e profissionais, além do talento de todos.
ADM - Como foi a sua reação ao perceber que Pitty estava conhecida no Brasil todo?
Álvaro - Fiquei super feliz e orgulhoso de ver amigos serem reconhecidos como músicos de qualidade. Lembro que fiquei super emocionado quando vi Martin tocando no Festival de Verão pela primeira vez.
ADM - A emoção resultou em comemoração obviamente.
Álvaro - Assisti em casa com minha mãe pela televisão, ela ainda era viva e sempre brincava muito com Martin, lembro quando ela falou "ele até que tava bonitinho na televisão". (Risos)
ADM - Ele é um ótimo guitarrista mesmo.
Álvaro - Sim, ele fez uma música pro Morticia - música dele e letra do Lucas, "Encruzilhada". Final do ano a gente finaliza o disco e ele vai estar lá com o André T, produtor musical que trabalhou na gravação do disco novo da Pitty.
ADM - E quanto ao novo CD (Chiaroscuro), o que achou?
Álvaro - O melhor, o trabalho mais maduro, a sonoridade também me agradou mais. Sou fã mesmo da galera, e de como a Pitty leva a carreira dela, o respeito que ela tem com a música.
ADM - É realmente um disco completo, músicas pra escutar no fone, com várias camadas de vozes e guitarra.
Álvaro - André T, o cara é foda. Acho que a dupla André e Rafael vai fazer a diferença no cenário da música brasileira contemporânea. Tenho orgulho de ser amigo dessa galera, e gravar meu primeiro disco com esse cara (André), ele sabe tudo.
ADM - Então se André e Rafael já fazem a diferença hoje no Brasil, mundialmente, tem alguma banda que você gosta muito, que tira como exemplo?
Álvaro - O Led Z, Alice In Chains, Soundegarden, Black Sabath. Tem uma galera, atualmente tenho escutado muito Titto & The Tarântulas e Roberto Carlos.
ADM - Paralelamente a sua profissão de Tatuador, você tem uma banda?
Álvaro - Mortícia. Fundei com o Lucas Ferraz, estamos com um monte de músicas novas, a banda está mais madura.
ADM - Bandas atuais aí na Bahia que promete?
Álvaro - Além do Mortícia?(Risos)
ADM - Sim (risos).
Álvaro - Irmãos da Bailarina, Retrofoguetes, Lacme, Cascadura (que já tem um tempo de estrada) e Vivendo do Ócio.
ADM - Quais foram as tatuagens da Pitty que você fez?
Álvaro - Fiz algumas: a frase na perna (Tudo vai passar), a Deusa Tara na panturrilha, os nipes de baralho nos dedos, o logo do filme "Laranja Mecânica" no braço e umas estrelas vazadas no braço, acho que só.
ADM - Como é o seu trabalho? Como iniciou?
Álvaro - Sempre gostei de desenhar desde criança, sempre fui viciado em HQ. Então depois de trabalhar como Bancário (oito anos) e instrutor de Kung Fu (dez anos), tive a oportunidade de conhecer Binga. Ele queria fazer uma atividade física e eu queria ter mais umas tattoos, rolou uma permuta, daí uma grande amizade, e depois de muito tempo um convite pra ser "aprendiz" dele. Ele é bem tradicionalista e acho que eu também ( risos). Eu to nessa a 13 anos.
ADM - A alguns anos atrás principalmente ai na Bahia a tatuagem não era bem aceita. Quais foram seus maiores obstáculos?
Álvaro - Aqui na Bahia é um dos lugares que tatuagem foi mais disseminada, é raro você ir a praia e não ver gente de todas idades com tattoo. Sempre sou parado na rua por senhoras pedindo pra ver minhas tattoos, o fato de ser beira da praia e as pessoas sempre estarem com o corpo exposto, deixam mais comum. Nunca tive muito problema com isso não.
ADM - E pra finalizar, tem algum recado pra deixar pro pessoal da revista Além de Muro? Também gostaria de agradecer a sua participação, é sempre bom bater um papo.
Álvaro - Eu agradeço a a oportunidade de falar sobre meu trabalho e de divulgar a Morticia. Acho super legal essa iniciativa de entrevistarem artistas que não são famosos e ainda não estão na grande mídia, e abrir espaço pra que as pessoas conheçam seus trabalhos. Valeu mesmo!


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